Simulações para estudar a expansão das culturas neolíticas na Amazônia

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Expansões de grupos humanos eram comuns durante opré-história, atrás do adoção da agricultura. Entre outros fatores, isso se deve acrescimento populacional dos agricultores, maior do que o deCaçadores-coletores.

Um exemplo é encontrado durante operíodo neolítico, quando a agricultura foi introduzida no continente europeu por migrações do Oriente Médio.

No entanto, emAmérica do Sul não estava claro se o mesmo teria acontecido, uma vez que se argumentou que nenhum grupo cultural se espalhou por distâncias tão longas como na Europa ou na Ásia. Além disso, acreditava-se que o tipo de agricultura praticada porpovos pré-colombianos na Amazônia não permitiria que eles se expandissem na mesma taxa.

Agora, uma investigação realizada por três membros do Grupo de Pesquisa Complexidade e Dinâmica Sócio-Ecológica (CaSEs) doUniversidade Pompeu Fabra de Barcelona mostra que as expansões de algumas culturas arqueológicas na América do Sul podem ser simuladas de forma computacional através docrescimento populacional e migração, como o Neolítico na Europa.

É o caso da chamada culturaSaladoid-Barrancoid, que se estendia do rio Orinoco a vários pontos da Amazônia e até chegava ao Caribe.

“O uso de simulações de computador para testar migrações humanas na pré-história tem sido produtivo em outros continentes, mas não foi aplicado nos trópicos da América do Sul”, diz.Jonas Gregorio de Souza, Pesquisador da UPF e coautor do trabalho publicado na revistaPLOS ONE.

De acordo com os resultados, explica de Souza, a equipe mostrou que "algumas expansões culturais ocorridas a partir da Amazônia podem ter resultado de processos demográficos semelhantes aos do Neolítico na Eurásia".

Taxa de crescimento populacional

O estudo adotou uma abordagem computacionalpara simular expansões humanas na pré-história.

“Usamos parâmetros derivados da etnografia dos povos agrícolas da Amazônia para simular a taxa de crescimento populacional, a fissão das aldeias, a distância e a frequência de deslocamento”, afirmam os autores.

Com base nesses parâmetros, eles criaram um modelo de computador para simular expansões de diferentes pontos e datas, e comparou os resultados com dados arqueológicos.

Os investigadores datas de radiocarbono usadas de diferentes culturas arqueológicas de grande extensão territorial nos últimos 5.000 anos, que foram comparadas com a previsão do modelo, para avaliar se o ritmo de sua expansão territorial poderia ser explicado como um fenômeno demográfico (e não de outra tipologia, como difusão cultural).

As culturas ou tradições arqueológicas analisadas foram asSaladoid-Barrancoid, aArauquinoide, aTupiguarani e tradições intimamente relacionadasUMAItararé YAratu. Na maioria das regiões onde se estabeleceram, essas culturas introduziram o cultivo de plantas domesticadas, marcaram a transição para assentamentos mais permanentes e difundiram um modelo econômico chamadopolicultura agroflorestal.

Os autores, no entanto, alertam que algumas expansões não puderam ser previstas pelas simulações, sugerindo que foram motivadas por outros fatores.

“Enquanto algumas expansões arqueológicas podem ser previstas, por meio de simulações, como processos demográficos, outras não são facilmente explicadas da mesma forma. Isso possivelmente se deve a diferentes processos que impulsionam sua dispersão, como a difusão cultural, ou porque os dados arqueológicos são problemáticos ou insuficientes ”, concluem.

Bibliografia:

Jonas Gregorio de Souza, Jonas Alcaina Mateos, Marco Madella (abril de 2020). "Expansões arqueológicas na América do Sul tropical durante o Holoceno tardio: avaliando o papel da difusão demica".PLOS ONE.https://doi.org/10.1371/journal.pone.0232367.

Fonte: UPF-CSIC


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